sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pense Grande...




Esses dias eu estava com uma amiga no msn e ela comentou algo que me fez pensar muito sério sobre um assunto.

Falamos sobre a falta de oportunidade para os artistas brasileiros e ela me disse: ’Agora eu entendo porque alguns editores não acreditam nos artistas brasileiros...’

A conversa era sobre artistas que se autoboicotam.

Claro que os que fazem isso jamais irão concordar com essa afirmação, porém é naquelas... não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.

Estou estudando Comunicação Visual e uma coisa que os professores falam muito é que cada artista têm que ter um projeto pessoal como portfolio, porque é através disso que os clientes saberão qual seu estilo e como você vê a sua arte, como a executa sem influência externa.

Lindo, né?

Mas contem nos dedos quantos artistas têm projetos pessoais e respeitam/trabalham a sério neles?

Muita gente prefere viver fazendo fanart de artistas que já estão com a vida ganha do que se divulgar criando algo próprio. Ou como exemplo:

Preferem publicar fanarts yaois (nada contra, mas todos sabemos que o publico é menor que o publico de um roteiro de aventura onde dois homens não estão copulando, vamos ser realistas) do que realizar um doujinshi (nem sai do tema fanfic, viram?) para um publico maior, para divulgar num site muito maior, onde por mais que você não ganhe um centavo, ganha visibilidade.

Já experimentaram falar sobre isso com esses artistas?

Não tentem, porque eles darão uma desculpa possível (ou impossível).

Como podemos querer que editores/editoras nos levem a sério quando nós mesmos não respeitamos nossas próprias obras e deixamos que todos pensem que se tratam de um fanzininho feito por um clubinho sem pretensão alguma?

Difícil, né?

Acho que antes de muitas artistas criticarem a falta de oportunidade que terceiros não lhes dão, deveriam pensar na oportunidade que eles mesmos tiram de si.

Sempre fico feliz em ver projetos autorias levados a sério (o que quer dizer fazer bem feito, não fazer de qualquer jeito e achar que ta abafando, um pouco de humildade sempre fará bem), dá animo em toda comunidade artística que quer fazer diferença mesmo que pouca.

Como ultimo comentário sobre esse assunto que muita gente vai ficar bem chateada de ler, lamento, mas é como eu penso... aqui vai uma frase que eu acho muito propicia pra essa conversa:

‘Pense grande! Já ouviu falar de Alexandre o Médio?’

Pensar grande inclui pensar em algo maior que um clube de luluzinha/bolinha fazendo desenhos juntinhos nos finais de semana...

Mas ó... pensar grande não é querer dominar o mundo ou se achar a última cocada, é ter confiança em si, investir seriamente no que quer e tentar fazer dar certo. Não como qualquer coisa, mas como algo especial, pelo menos pra você...

: )



***

6 comentários:

MarciaCowboy disse...

Rsss é aquela famosa frase do Chacrinha, nada se cria tudo se copia =P , se bem que essas horas aquela famosa frase da Globo se encaixaria nesse texto: " Tente e Invente, Faça Alguma Coisa Diferente..." Rsss, e no fundo você está com razão, existe pessoas que usam a criação de outras pra obter o sucesso e existem outras que são fazem o Fanart porque tem um enorme carinho pelo personagem que marcou ou está marcando a vida dela =)temos muitos artistas ocultos, o problema é que eles tem medo de se expressar e serem rejeitados e as vezes a melhor forma é copiar a arte dos outros, o que pode as vezes não sair bem como queriam, e tem aqueles que tem o estilo proprio e tentam, tentam e tentam e no final ficam tristes e desanimados, e tem aqueles que um simples entredimento, faz pro prazer mesmo sem nenhum fim lucrativo ou trabalhar na area, acaba sem querer sendo reconhecido e contratado... Enfim é vida que nos prega cada peça, quando as pessoas pensam que não vai dar certo, é quando dá certo, e quando se pensa que vai dar certo é as vezes que dá a zebra... como costuma-se a dizer por ai... É vivendo e aprendendo. =P
Beijos
Ass.: Marcia Cristina

Keyle Barbosa disse...

Não sei se lembra de mim, já comentei uma vez no seu blog...

Muito interessante sua reflexão. Gostaria de compartilhar minha opinião sobre o assunto, com base na minha experiência como designer e animadora (e futuramente, espero eu, ilustradora, rsrs =)):

Penso que, antes de tudo, o trabalho de um artista deve ter como base o é realmente importante para ele. Desse modo, se um fanart yaoi (é esse o termo, né?), ou uma história sobre aventura, ou seja lá o que for é o que o autor gosta mesmo, o que é sua paixão, então penso que é o que ele realmente deve fazer, independente se aventuras vendem mais, ou se as outras pessoas gostam mais de romance, etc.

Agora, desenvolver um trabalho pessoal quando se é um artista significa também procurar se aperfeiçoar como artista, crescer, experimentar, buscar repertório, e interpretar e absorver esse conhecimento segundo a sua ótica crítica, desenvolvendo o seu próprio estilo. Sugiro a qualquer autor de quadrinhos (principalmente àqueles que SÓ lêem mangas ou SÓ lêem quadrinhos americanos, etc.) a abrir os horizontes e ler quadrinhos europeus, quadrinhos brasileiros (temos grandes mestres aqui como Laerte, Adão Iturrusgarai, Fernando Gonsales, só pra citar alguns), etc. Vá à exposições de arte, leia bons livros, veja bons filmes e acima de tudo sempre pense muito e seja crítico (ah, e claro, treine muito rsrs). Procedendo assim, seu fanart yaoi não será só mais um fanart yaoi, ele terá impresso nele sua individualidade, seu estilo, sua alma de artista.

Entendo que seus professores dizem que o artista deve ter trabalhos pessoais porque geralmente quando se faz só trabalhos comerciais não se tem o tempo e nem a liberdade para experimentar, para desenvolver essa individualidade da qual falei, porque estará ocupado em atender às expectativas de seu cliente. Mais uma razão para quem deseja um dia trabalhar com isso se preparar desse modo que eu falei o quanto antes.

E claro, acho que você tem toda razão quando diz que o artista deve procurar divulgar e apresentar bem o seu trabalho. Faz parte da conduta de qualquer profissional que se leve à sério (ou pensa grande, como você definiu tão bem). Mas isso também se deve ao amadurecimento pessoal de cada um. =)

Abraço!
Keyle.

westgeneration disse...

Uau!! Nem acredito que tem texto novo, ja tava ficando com saudades...

Concordo plenamente que existam artistas que se autoboicotam, mas não está limitado apenas nessa area artística.

Vejo muitos problemas por exemplo na area da educação em que professores ja não acreditam mais neles mesmos, e dão aulas medíocres copiadas de livros didáticos mal feitos....

Parece que a população brasileira em geral esta perdendo a autoestima, a falta de oportunidade apenas cai como um reforço para desculpas esfarapadas.

Apenas os fortem sobrevivem! Vão para países mundo a fora ou constroem coisas novas num lugar cheio de oportunidades que apenas poucos percebem.

PETER disse...

Oi Fran! =D

Lendo seu post me lembrou uma época em que as Hqs tiveram um vício muito chato. Bem na década de 90 fomos surpreendidos com vários desenhistas novos e alguns não tão novos que trabalhavam apara editoras independente ou pro´rias com o intuito de criar Hqs que valorizassem a arte e o argumento. Tivemos muito nomes novos como Michael Turner, J.Scott Campbell, Brett Booth, Todd Nauck, Jeff Matsuda, Joe Benitez, Billy Tan, Joe Madureira, Greg Capullo, Tony Daniel e alguns outros. E também tivemos desenhistas antigos que deram um show na arte, como se tivessem guardado o melhor de seu trabalho para expor agora. Quem fez isso foi o Rob Liefeld, Jim Lee, Marc Silvestri, Whilce Portacio, Jae Lee, Todd Mcfarlane e muitos outros.

Era interessante ver a qualidade dos traços desses desenhistas. Cada um fazia um trabalho absurdo. Era como se fosse um “orgasmo” visual (Isso mesmo!). Isso se devia a qualidade, detalhes, cuidado e criatividade que eles empenhavam.

Anos depois, ainda na década de 90, muitos desenhistas foram comprados, outros tentaram re-inventar seus traços (Frank Miller foi um) e alguns outros passaram a copiar os traços ou detalhes dos traços dos novos desenhistas que mais se destacaram. Até memso desenhistas antigos fizerm isso.

E quem foi a bola da vez em ser copiado? J. Scott Campbell!
O criador de GEN13 teve uma enxurrada de artistas que desenhavam, ou tentavam desenhar, igual a ele. Era estranho ver bons desenhistas copiando o traço ou os detalhes dele. Era possível perceber que muitas imagens eram escancaradas de cópias. Até mesmo os desenhistas brasileiros que antes imitavam ou copiavam o Jim Lee passaram a copiar o J.Scott Campbell. Era poucos que procuravam fazer seu própiro traço. Eu mesmo sempre fiz traços semelhantes ao do Rob Liefield e alguns mais abstratos... Hoje em dia me amarro em fazer algo parecido com o traço do Charles Schulz. ^^

Concordo com suas palavras. Eu vejo que hoje em dia há muitas Hqs, nacionais ou importadas, que são influências pelos mangás... Nada contra. Mas muitos deixam de acreditar no seu potencial e passam a copiar de forma clara o traço de um desenhista específico e não exploram o seu verdadeiro potêncial.

Eu penso assim: Quer fazer mangá? Faça! Quer fazer HQ? Faça! Mas explore seu prórpio traço, sua criatividade, sua imaginação e não seja uma cópia de um artista de sucesso.

Falei pra K7, Eu sei! Mas é a insônia e a falta de uma namorada que fazem isso! XD

Beijos...

Kalleder disse...

Com esse assunto e oq discutimos a algumas semanas atrás, eu tb me lembrei muito de Berserk em alguns momentos...

Manda ver Grifth!

Yoshi disse...

né.. acontece que existem dois tipos de profissional.. aquele que serve pra criar e aquele que serve pra executar. e um não é melhor nem mais importante que o outro... (ta.. ok o que cria é mais importante, mas o que eu quero dizer é que os peões tb são importantes)

eu estudo/trabalho com animação, ilustração, etc.. e eu tenho um colega que sabe arte finalizar MUITO bem.. as animações dele são muito melhores que as minhas, massss pra criar ele é travado

e eu sou mais o contrario dele. eu costumo criar muita coisa.. começar muita coisa.. mas la pelas tantas perco o pique.

então nós dois começamos a trabalhar juntos e nos demos muito bem.. toda a parte de pré-projeto vem pra mim, pq eu planejo melhor, piro mais nas criações.. seja dos personagens, do roteiro, etc.... mas na hora da produção mesmo quem manda é ele. então a gente se completa.

enfim

esse lance de autoboicote é bastante comum e não só no mundo artístico, mas em tudo na nossa vida.. parece até coisa do ser humano.

o fato é que qualquer um pode ser um profissional foda.. daqueles que se destacam mesmo na multidão. e pra chegar lá.. é "fácil".. é só NÃO ter MEDO nem PREGUIÇA.