quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diga-mes quanto tens de melanina, que te direis quem és...



Mudando de canal essa semana, sofrendo com o calor do Hell de Janeiro e pensando que deveria produzir algo além de ver tv, parei no canal GNT assim que vi um documentário que muito me chamou atenção. O título era:

‘Por que os homens preferem as louras?’

Eu, como figura não loura e totalmente fora do ‘padrão’ de beleza imposto pela sociedade mundial parte ideologicamente ariana, resolvi assistir pra ver qual era o x da questão...
Afinal, toda mulher que não descende de nórdicos e/ou não nasceu com madeixas douradas e que já passaram por alguma situação desfavorável por isso, certamente já pensaram a respeito do assunto.

Ou não.

O caso é que penso demais e gosto de compartilhar tais questionamentos com quem lê esse blog.

No documentário as primeiras coisas que me chamaram a atenção foram os testes.

Neles simularam com três mulheres (uma negra, uma morena de pele clara e uma loura) certa situação que consistia ficar na beirada de uma estrada com o carro ‘quebrado’ e ver quantas pessoas ajudariam cada uma delas.

O resultado em trinta minutos foi:

Sete – pararam para a loura
Três – para a morena de pele clara
Três – para a negra

Curioso, não?

A explicação a seguir foi de que as louras transmitem mais a imagem de desprotegidas, que precisam ser cuidadas.

Encaro isso como um certo preconceito, não que seja algo ofensivo para algumas louras, claro.
Muitas mulheres em geral (não somente loura, obvio) se dão muito bem utilizando-se dessa imagem. Porém, algumas louras certamente se ofenderiam em saber que transmitem tal idéia aos que as veem.

Acredito que existem louras demais por aí que não dependem de ninguém, que lutam pelo que querem que batalham como qualquer pessoa com mais melanina e que detestariam que ‘cuidassem’ delas dessa maneira, só pelo que acham que elas precisam.

Continuei vendo o programa e mais um teste: agora mostrariam fotos de morenas e louras para diversos homens.

O resultado foi:

A maioria definiu as morenas como confiáveis no local de trabalho e como esposas, leais e inteligentes.

O resultado pras louras foi: beleza e assuntos fáceis.

Mais uma vez imaginei louras mundo a fora iradas por serem o estereotipo de burras.
Se eu fosse loura ficara furiosa com tal imagem que a sociedade faz de mim, assim como uma mulher da cor parda (é uma definição que sempre achei estranha no meu registro de nascimento, o som da palavra me lembra passarinho O.o’) fico furiosa quando as pessoas me olham com cara de superioridade.

Fizeram mais perguntas as pessoas aqui e acolá, muitas formadas em assuntos ligados a comportamento humano.

Uma delas disse que louro simboliza riqueza, dourado, o sol.

Hm... quer dizer que isso explica porque uma loura dura entra em algumas lojas e é mais bem tratada do que uma morena/negra cheia de grana.

Outro disse que as louras são vistas como objetos sexuais, mas que pra casar e manter relação séria tem que ser com as morenas...
Alguns ainda disseram que as louras muitas vezes se usam do rótulo de burras que lhes foi dado, pra tirar vantagem de uma situação.

A culpa, claro, não é da loura em questão e sim da mentalidade medíocre dessa gente que não vê que é tudo uma questão de mais ou menos pigmentação. Puramente cientifico.

Seguindo com os testes de comportamento externo, levaram as mulheres para um bar.

A loura ganhou mais drinks e cantadas diretas.
A negra achou um cara que ficou conversando durante horas
E a morena de pele clara ganhou dois drinks.

No final, pintaram o cabelo da loura, deixando-a morena e as duas morenas deixaram louras (convenhamos que a negra loura ficou muito... ahn... definirei como atípico XD).

Refizeram o teste do carro quebrado para saber se a loura do teste era tão popular por sua personalidade ou pela sua aparência.

Conseguem imaginar o resultado?

Pois é:

Cinco pessoas – pararam pra ajudar a loura (antes morena de pele clara)
Três pessoas – pararam pra ajudar a morena (antes loura)
Duas pessoas – pararam pra ajudar a loura (?) (antes negra)

Aí você vê como são as coisas... o preconceito é tão asqueroso que chega a ser engraçado como uma filme de humor grotesco.

Assistindo o documentário tive certeza que muitas louras se ofenderiam em saber que são vistas dessa maneira, como objetos com os quais não se consegue manter uma conversa inteligente e que só servem pra uma aventura.

Como se pode julgar alguém pela cor da pele ou do cabelo? Como saber qual o tipo de índole aquela pessoa tem, se será uma boa esposa, uma boa profissional?

Às vezes o preconceito não vem em palavras ofensivas. Dependendo da cor da sua pele e/ou do seu cabelo ele virá embrulhado num papel de presente com direito a cartãozinho repleto de elogio.

Pense nisso. ^~


***

10 comentários:

Yuna disse...

Bom... vendo todos os resultados desse documentário eu só consigo pensar que a parte boa disso tudo é que se a loura for mesmo uma pessoa inteligente e tiver qualidades, ela vai se relacionar com pessoas do mesmo nível intelectual... e pssivelmente se casará com um cara nesse nível...

A sociedade é hipócrita, todo mundo tem mania de dizer que não tem preconceito, e quando é questionado sobre algo tão simples, fala uma batatada dessas.

A minha premissa é simples... Tomo cuidado com as pessoas com quem lido, e se descobrir algum babaca desses, é cortado dos meus relacionamentos. Filtro muito bem as pessoas com quem quero dividir a minha intimidade, ter uma amizade forte e bons momentos.

Eu geralmente rio de piadas de loura burra, algumas são bem engraçadas, não deixo algumas coisas me ofedenderem, porque sei que não aplicam a mim. Quem me vê dessa forma porque sou loura não merece a minha atenção ^^-

Ótimo texto, Fran! Eu, como você, acredito que existe beleza e que uma pessoa pode, sim, ser muito interessante, independente da sua etnia : )

TRILHAS SONORAS DISNEY disse...

Nossa, isso é muito complicado. Acho que vai do gosto por beleza de cada pessoa mas hoje em dia é tão normal ver casais de cores diferentes e tal... o preconceito é a coisa mais ridícula desse planeta, ainda bem que eu vejo todo mundo de maneira transparente. Mas o racismo hoje em dia, ao menos onde eu vivo, é praticamente instinto. Claro, piadinhas continuam, sobre loiras, negros, japonêses, portuguêses, gays... mas se não for mais possível fazer piadas fica sem graça :S Enfim, xô racismo! ¬¬'
Ótimo texto!

Pedro Clini disse...

"Ótimo texto, Fran! Eu, como você, acredito que existe beleza e que uma pessoa pode, sim, ser muito interessante, independente da sua etnia : )"

Somos 3 então ^^
Hauhauhaa~

Tiago "The Portal" Soares disse...

O pior dessa situação é perceber que esse preconceito (e na verdade, absolutamente qualquer tipo de preconceito) não é totalmente consciente. Existe um sutil e pavoroso contexto social que leva as pessoas a agirem dessa forma - até quando elas mesmas acham que não tem preconceitos.

Separando os indivíduos com óbvias falhas de caráter (os populares "canalhas"), mesmo uma pessoa normal, que se considere de "mente aberta" pode acabar fazendo julgamentos desse tipo quase sem perceber. Podemos ver um dos fatores principais para isso na criação e educação - a famosa situação de que a ação vale mais que mil palavras: a mãe desfia a ladainha para o filho que todos os amiguinhos são iguais, ninguém é melhor que ninguem, mas não pensa duas vezes antes de virar para o lado e xingar o vizinho de pejorativos. Crianças tendem a aprender com os atos muito melhor que com palavras...

Outro ainda pior é a própria sociedade, que cada dia que passa clama em altos brados que abre os braços igualmente para todos, mas na verdade a sujeira só é varrida para baixo do tapete. Quantas pessoas não agem com receio perto de uma pessoa "parda" na rua, com medo de ser um ladrão? Quantos não surrurram pejorativos como "bichinha" pelas costas de um sujeito com trejeitos diferentes? Em quantas novelas (ok, exemplo horrível, mas estão lá também) você não consegue dizer exatamente o que é a personagem só pelo biotipo que eles escolhem para o ator? Elas não só se deixam levar pelos preconceitos que aprenderam em casa, mas acabam espalhando isso para outros e aprendendo os dos outros, potencializando seu efeito.

Não digo que as pessoas não deixem de ter culpa só porque "isso é inconsciente, eu não tinha noção do que fazia" - pelo contrário, o princípio de toda a moral é agir racionalmente e suprimir os instintos. Mas é importante perceber que o preconceito, sejam de loiras, de morenos, de homossexuais, de pobres, qualquer um, é perigoso não só pelo o que está bem à vista, mas principalmente pelo que não se vê.

E o mais irônico é perceber que o lugar sob menor influência (ainda que exista, claro) é a internet. Sem qualquer pista do interlocutor - e portanto sem "combustível" para alimentar preconceitos - as pessoas tem a oportunidade de serem mais elas mesmas...

(Só para esclarecer, não sou psicólogo, cientista ou coisa que o valha. Isto é só uma opinião, baseado no pouquinho que eu já vi da vida... :D ).

Xiko do Couto disse...

Veja bem, há algum tempo atraz li ou ouvi no rádio que a explicação científica para tal preferência remonta ao subiconsciente primal humano(não eu não sou acadêmico de psicologia nem biologia ^_^'). Subconscientemente o homem associa jovialidade à fertilidade(por isso tanto coroa gosta das "novinha" XD). O cabelo loiro representa jovialidade, repare que muitas pessoas tem a cor dos cabelos mais clara quando era mais jovem. Eu, por exemplo, não concordo. Prefiro mulher. Etnia é o de menos. Desde que seja bonita(ou vai dizer que você vai na(o) feia(o) primeiro pra ver se ela(e) é manera(o)? Se sim você,não é você Fran, são os outros leitores do blog, é hipócrita) e inteligente, eu tô dentro.

Separados no nascimento disse...

É, Fran, realmente não dá pra levar a sério um programa cuja forma de argumentação e apresentação de fatos seja baseada em testes superficiais.

Faço do último parágrafo do excelente comentário da Mari, minhas palavras:

"Ótimo texto, Fran! Eu, como você, acredito que existe beleza e que uma pessoa pode, sim, ser muito interessante, independente da sua etnia : )"

Bruno Sky disse...

Puxa, nunca tinha reparado em tal ponto de vista...

Keyle Barbosa disse...

Essa é mais uma comprovação do que eu penso e observo no mundo hoje em dia: a total preocupação e valorização do externo em detrimento de valores internos. As pessoas estão muito voltadas para fora, para o material, para o físico e esquecem de pensar e cuidar do que, na minha opinião, realmente importa no julgamento de uma pessoa: seus valores, sua conduta, sua mentalidade.

A consequência, vemos aí: absurdos que vão desde a (des)valorização de alguém por sua cor de pele/ cabelo até ao absurdo do holocausto.

Em tempo: acho beleza realmente importante. A questão é o que é ser bonito. Esse é o conceito que deve ser construído por cada um.

westgeneration disse...

Nossa, eu vi esse documentário, a única conclusão que eu consegui pensar: que as pessoas ja sabem dessa informação, afinal está na midia, em musicas e personagens de filmes e etc com "loiras burras".

Além disso ser loira, morena, ruiva etc é puramente opcional.

Sabrina Sato por exemplo, japonesa, morena que faz papel de burra na TV está cada vez mais loira, totalmente opcional.

Rodrigo disse...

Eu escolho minhas amisades por personalidade, nao pela aparencia, e normalmente nao me apaixono por pessoas que nao conheço. Sei la, talvez um dia bata um amor a primeira vista, mas até hj nunca aconteceu e eu sou incapaz de compreender tal sentimento.

Mas tenho meus preconceitos, sei lá, todos tem, quando tem pessoas proximas a mim (e nao é o Metro, pq no metro SEMPRE tem gente proxima) verifico pra ver q tipo de gente é, se é velhinha, mulher aparentemente indefesa, criança, homem aparentemente honesto, eu fico relaxado, quando nao.... bem... eu tbm fico relaxado, pq eu sou relaxado sempre...

mas é bom saber quem ta a sua volta ahahha

falei falei e nao disse nada... huahua