sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Conversando Sobre Coisas da Vida - 1


‘...O mal do século é a solidão
cada um de nós imerso
em sua própria arrogância

esperando por um pouco de afeição...’*

*Legião Urbana – Esperando por Mim



Várias reportagens já falaram a esse respeito, a solidão.
Mas hoje, pra atualizar o blog, resolvi me pronunciar sobre o assunto segundo o meu ponto de vista.

E sim, escrevo sobre o que me vem à cabeça no momento em que acho que devo escrever. Geralmente é dessa maneira que o texto sai verdadeiro, ok?

Sendo assim, vamos ao assunto que muita gente prefere fingir que não liga, mas que escondido em algum momento do passado, pode ter se confrontado. Ou quem sabe está passando por isso nesse exato momento, vai saber, né?

Todo mundo sabe, ou pelo menos a grande maioria das pessoas, que há dois tipos de solidão:

- Estar sozinho
- Se sentir sozinho.

Considero a segunda pior.

Nessa forma de solidão, você pode estar acompanhado de uma, duas ou mais pessoas e se sentir sozinho no mundo, deslocado, abandonado.
Não existe, a meu ver, pior sensação do que a de estar acompanhado e se sentir sozinho.

Muita gente pode achar que a solidão física é sempre muito pior, mas no caso dessa, tudo se ajeita se enfiando num circulo que contenha vários elementos humanos e voilá.
Adolescentes fazem isso várias vezes por mês e em alguns casos nunca param pra se dizerem sozinhos. Não é a toa que andam em cachos por aí.

Porém, quando você se sente solitário, mesmo que a vista de muitos isso parece impossível, o vazio no peito é tão grande que chega a sufocar.

Pior mesmo só se estiver sozinho nos dois sentidos, mas ai, meu amigo... o caso é bem mais complexo e acho por bem você procurar ajuda.

Existem pessoas que preferem estar sozinhas em algum momento, para meditar, para ter um tempo para se olhar por dentro, para trabalhar, para criar, para andar pelada(o) pelo apartamento... enfim. Notem que eu disse estar, não ser.

Estar sozinho é muito diferente de ser ou de se sentir sozinho. No estar é uma opção, nos demais é uma constante que não agrada durante muito tempo - como semanas, meses ou anos a fio.

Às vezes, a solidão pode se dar por um deslocamento geográfico, por decepções com pessoas ao seu redor, por um momento em que se sente miseravelmente abandonado, sem ninguém com quem contar... Ou até mesmo por tudo isso junto, se tiver numa fase de azar supremo.

A sensação é ainda pior quando nota que coisas que antes pareciam definitivas, são totalmente diferentes quando vistas em perspectiva. Quando percebe que talvez fossem daquela forma ali todo o tempo, mas só você não viu.

Ainda mais grave é quando sente que lutou uma batalha que julgava justa e que perdeu, porque estava do lado errado da disputa e agora está sozinho... Aí, além de solitário você se sente burro e culpado.

Talvez se olhássemos com mais atenção pras pessoas as quais julgamos conhecer, se cuidássemos pra ver o que realmente interessa e não o que queremos visualizar, veríamos que há mais solitários vagando ocos por aí do que imaginamos.

Alguns lidam com isso se adaptando a situações em que o encaixe se torne confortável, maquiam a solidão e sentem um pouco do que julgam felicidade. O que não passa de satisfação momentânea, pois quando voltam à realidade, sabem mesmo que no fundo, que estão apenas evitando por algum tempo aquela companheira indesejável... uma sensação de ser o único ser vivo em meio a mais de milhões.

Outros se isolam num casulo de aço, fazendo parecer que aquilo não os atinge... que são pessoas saudáveis, com uma vida social (e pessoal) de fazer inveja e que solidão é algo que só consta em dicionários de gente carente, depressiva ou mal amada.

Mas se tirássemos um pouco os olhos do nosso próprio umbigo, se por alguns minutos que seja pensarmos mais em quem está a nossa volta do que em nós mesmos, talvez, por alguns milésimos de segundos o olhar dele ou dela vai denunciar aquele vazio, aquela tristeza, aquela solidão e sensação de estar deslocada(o), a margem do mundo...

E então, com os olhos focados em outro ser humano e não somente em nós mesmos, poderemos por míseros minutos deixar o dia, a semana, os meses ou até mesmo os anos de alguém um pouco mais completo...

PS*: Se alguém não se lembra da musica citada no inicio do post, basta clicar no link abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=T6qEckbcKtc



***

5 comentários:

actionnerds disse...

Oi Fran, é a Kell!
Achei fantástico seu texto... primeiro, por já ter sentido na pele como é se sentir sozinha.
Anywat, tempos dificeis que eu não quero lembrar agora, mas de qualquer forma, retrata bem quando nos sentimos vazios por dentro.
Achei bonito e sincero a forma como escreveu e cá entre nós, adoro tudo que você faz! XD

Beijos querida, até mais.
=**

@tainaonichi disse...

Muito... verdadeiro.

Mauricio Fodra disse...

Adorei a franqueza e a sensibilidade com que vc tratou do tema, Fran... Solidão é algo que toca a todos nós. Principalmente qdo percebemos que escolhemos errado e que essa escolha nos custou mto. Infelizmente, por culpa de nosso orgulho ou de nossa vaidade, julgamos estarmos certos e por isso mesmo fechamos os olhos e teimamos em nossas escolhas erradas. Mas o tempo, sempre o tempo, se encarrega de abrir nossos olhos. E aí cabe a nós buscarmos em nós mesmos e nos demais a saida para essa solidão interior. Talvez um bom primeiro passo seja a humildade de assumir os erros e tentar corrigi-los. O que vc acha?
Um grande abraço!
Mauricio

Xiko do Couto disse...

Muito oprtuno seu tema. Fui acometido deste sentimento de solidão há dois dias. Uma angústia, um aperto no peito que só foram sanados no ombro amigo de Antônio Carlos Garibaldi(sim ele é parente da personagem histórica), meu melhor amigo. Sempre fui muito solitário como, Carlos Henrique JJ, outro grande amigo, descobriu e elucidou proutros de nosso convívio na época, apesar de eu disfarsar muito bem. Essa constante sempre me foi até superável. Creio que a falta de um emprego convensional de mais de um ano, a dificuldade de acesso à internet(nesta semana da "crise"),a raridade do contato familiar mais próximo e os meus vidouros vinte e nove anos(a serem completos dia treze de fevereiro às dezenove horas e quarenta e cinco minutos, nem um minuto antes), tudo isso junto, contribuiu para o evento que citei. Mas já passou. E que venha a próxima onda de solidão(à um quilômetro por hora de preferência. ^_^

Obrigado Fran e parabéns.

Anônimo disse...

é.. creio que é isso o que anda me afetando ja faz alguns anos

mas esse ano está pior

"estar sozinho" ou "se sentir sozinho".. eu de fato me SINTO sozinho.

Há alguns anos eu achava que era apenas falta de amizade. Não tinha nenhum amigo de verdade na faculdade ou no trabalho, mas isso mudou. E mudou muito! Hoje eu saio praticamente toda semana com um monte de gente, mas é só voltar pra casa que aquele vazio no peito dói.

enfim..

valeu pelo texto =)