quinta-feira, 24 de junho de 2010

Somos Todos Brinquedos...



(Contém nano spolier, cuidado ao ler se for uma pessoa *cofsensivelchatafrescacomspoilercof*)

Pensei um pouco se deveria escrever esse texto, porque já vi tantos comentários e resenhas a respeito que achei que não pudesse ou não tivesse algo a acrescentar...

Depois, porém, percebi que a única coisa que poderia contribuir ao falar dessa obra seria como ela tocou a mim, já que o meu blog é justamente sobre isso... assuntos que me tocam, e como eles me tocam.

A primeira palavra que usaria para definir Toy Story 3, é rejeição. Em seguida, apego e a frase clichê que sempre repetimos quando é necessário: quem ama, liberta.

Rejeição é um sentimento muito ruim, aterrador e faz com que nos sintamos o pus que infecciona a mucosa pútrida que um verme come. É... acho que é uma boa definição.

Afinal, ser rejeitado por quem uma vez te amou (seja em qual sentido for), te deu carinho, atenção... e de uma hora pra outra te jogou num baú a caminho do sótão ou do lixo é cruel e duro para qualquer um. Muitas vezes não sabemos nem por que, depois de tanto tempo nos dedicando as brincadeiras daquela pessoa, somos jogados de lado assim...

...Nos faz sentir brinquedos mesmo. Usados e depois jogados fora.

Todo mundo tem medo de ir pro sótão. Queremos estar perto de quem amamos, interagir... queremos que aquela pessoa brinque conosco como antes fazia, e quando o sujeito em questão passa por suas mudanças e nos deixa de lado, ficamos sem chão.

É natural das espécies passarem por mudanças, mas somos bonecos de plásticos teimosos que não entendem porque e como um sentimento tão grande muda e num outro momento nos transformamos apenas em tralha que ninguém vai querer.

Entendo perfeitamente o sentimento da Jesse (que já havia passado por isso uma vez), do Buzz, do Senhor e Senhora Cabeça de Batata e todos os demais.

Assim como entendo a visão do Woody, aquele que nunca desistirá de você, que de tanto amor não será capaz de reconhecer que a temível mudança chegou: O momento de deixar ir, aquela pessoa que já não se conecta com ele como outrora, chegou.

Ao mesmo tempo em que por estar numa situação privilegiada, ser o único escolhido para ir para a faculdade com o Andy, torna difícil compreender o que os amigos estão sentindo, a sensação de abandono... de uma espera no sótão.

Foi somente quando viu que a mãe do Andy abriria mão dele, o deixaria ir, apesar de todo amor que tem, o maior amor do mundo que é o de mãe, soube que deveria deixar que ele seguisse seu caminho, que seu trabalho ate ali estava completo.

Só então Woody percebe o que deve fazer... aplicar o clichê máximo que nos é tão difícil executar em algumas circunstancias: Libertar.

E nossos queridos brinquedos, que tanto amaram e tanto alegraram o Andy durante anos, partem para uma nova jornada... se fazendo presente onde agora se encaixam.

No dia da pré-estréia senti um nó na garganta nos minutos finais do filme, mas não chorei pra não borrar a maquiagem.

Pois bem, no próximo sábado espero assistir novamente e dessa vez não vou passar pintura alguma nos olhos, quero me acabar mesmo, porque duas semanas após a primeira vez que assisti, Toy Story 3 faz muito mais sentido para mim.

Aliás, meu sótão está vazio, meus brinquedos estão todos do meu lado. Alguns eu guardo no meu armário e várias vezes por semana, pego para cuidar e ‘brincar’.

Outros estão bem guardados no meu coração, também ligo ou escrevo para saber como estão...

Mas os meus brinquedos, assim como tudo o que é especial para mim, nunca irão para o sótão.


***



9 comentários:

Mel disse...

Nossa muito legal, esse filme me emocionou tanto e mexeu tanto comigo que cada resenha que eu leio me afeta de alguma maneira. E você tocou nessa parte da mãe do Andy que poucos tocaram e acho que muitos não perceberam. Mas eu percebi sim o que o Woody estava pensando nessa hora, e é exatamente isso "se a mãe dele que tem todo aquele amor absoluto está deixando ele ser livre, quem sou eu... apenas um boneco" E nossa isso é muito lindo mesmo, tanto que foi nessa parte primeiramente que eu desabei e continuei ate o final do filme (não estava maquiada XD)
Sei que você não me conhece, sou apenas mais uma fã do seu trabalho e do seu marido, mas axei que precisava comentar aqui.
Abraços

Fran Briggs disse...

Oi Mel!

Muito obrigada mesmo por comentar e por gostar de nossos trabalhos! :3

Eu reparei isso na hora tb, sobre a mãe do Andy... foi o momento em que o Woody viu as coisas com total clareza... achei LINDO!

Bju!

Anderson Ricardo disse...

Fran só você mesmo pra me fazer chorar com um texto desse. Toy Story fez parte de minha infancia e adolecencian eo mais engraçado é que eu já estava com um clima de despedida desde do segundo filme quando o Woody fala pro Buzz que os dois vão estar juntos ao infinito e além no final, foi naquele filme que eu entendi que Andy ia crescer do mesmo como eu estava crescendo e que um dia teria que deixar os brinquedos de lado. E eu me indentifiquei muito com isso pois estava passando pela mesma coisa na época do filme 2.

Quando eu soube que iam fazer o 3 meu deu um alivio e uma tristeza pois sabia que esse filme seria a verdadeira despedida desses brinquedos tão amados, e como eu vivo aqui em Fernando de Noronha(Verdadeira ilha de lost) eu ainda não tive a chance de ver o filme, mas os dois primeiros eu vi no cinema e não vai ser diferente com esse.

Obrigado Fran pelo texto belissimo que me fez ter coragem de viajar para poder me despedir desses amigos tão amados e de longa data.

Mais uma vez OBRIGADO...

Mari CRS disse...

que lindo seu texto sobre o filme ;-;
fui muito lindo..chorei muito..Isso de deixar ir..é muito difícil...nunca joguei um brinquedo meu fora..Nunca..Mas já doei e dei para alguns familiares..é muito difícil essa 'separação' oown ;-;

Fran Briggs disse...

Oi Andreson, tudo bem?

Muito obrigada mesmo pelo comentário, eu sei que ainda preciso melhorar muito como escritora, mas sempre tenho em mente em ser verdadeira quando escrevo e a melhor maneira de fazer isso é expressar como me sinto em relação a algo. Fico mto feliz que tneha gostado. TS3 me deixou muito emocioanda tb... eu vi ali mais que uma simples despedida entre brinquedos... para mim, ao menos, foi como uma passagem na vida, uma dessas que odiamos ter que passar, mas por vontades allheias as nossas somos obrigados a encarar.

Bju e obrigada por ler! ^^/

Oi Maki!!! <3

O filme é lindo demais, quero ver novamente!

No meu caso, tocou de uma maneira muito profunda, até mesmo pela época em que foi lançado... pensei nos meus dolls, em meus amigos, em minha familia... tudo que temos a nossa volta e que amamos. E as vezes não podemos ter perto pelas mudanças que ocorrem na vida... :/

Bjuuucas e brigada por ler e por comentar, mulé! ^.^-

Sara disse...

Muito boa sua interpretação e muito lindo o seu texto. Devo confesar que quase chorei lendo; deu um nó na garganta bonito. Hehehehe

Como assisti o filme ontem, ainda estou tentando absorver tudo o que vi. Sendo assim, nem vou comentar nada; seu texto já diz muita coisa.

Semana que vem assistirei novamente (quero muito/espero), então volto aqui se tiver algo a falar ^^

Parabéns pelo blog,
beijos! :D

Xiko do Couto disse...

Gostei do *cofsensivelchatafrescacomspoilercof*(risos). Lebrei que me deram ESPÓLIO( como eu prefiro chamar) de Senhor dos Anéis antes mesmo de eu ver o filme( bom eu não li antes os livros porque não gosto de pegar livro emprestado *coftocpassíveldemedicaçãocof*). Definição bem 'hora do almoço' essa de rejeição(^_^)v. Mas falando sério, fiquei com muito mais vontade de ver o filme depois do texto. Achei ótima a proposta do roteiro. Quanto a nós, somos todos titeres na mão de Nimb *cofnerdaTORMENTAdocof*.

Bruna / Chiisana Hana disse...

Excelente texto!
E fico feliz de saber que tem gente que, como eu, ainda mantém seus brinquedos longe do sótão.

MiTo disse...

Olá Fran.
Parabenz pelo texto, pelo blog e pelo seu trabalho.
Ficarei de olho por aqui sempre que puder. ^^
Admiro-te.
Bejjos.