terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Conhecer Para Entender




Texto escrito por Guilherme Briggs a respeito do nosso trabalho de tradução do mangá Tenjho Tenge.

Aos interessados em aprender e compreender, leiam com atenção.

^^-




TENJHO TENGE: TRADUÇÃO e ADAPTAÇÃO



Oi, tudo bem? ^__^

Visto que recebi mensagens de algumas pessoas comentando a tradução que Fran, minha esposa, e eu fizemos do mangá de TENJHO TENGE, gostaria de publicar minhas considerações pessoais sobre TRADUÇÃO e ADAPTAÇÃO de texto.

Antes de mais nada: muito obrigado pelos elogios, pelo carinho de todos, assim como as críticas construtivas que recebemos, isso só acrescenta e nos faz querer melhorar cada vez mais.

Antes de mais nada, eu e minha esposa fazemos parte de uma equipe que possui várias pessoas, não somos apenas nós dois sozinhos. Nós recebemos um gabarito (xerox do mangá original em inglês) para fazer a tradução e gabaritar. É preciso marcar tudo, na ordem japonesa de leitura (da esquerda para a direita, mesmo na cópia em inglês que recebemos) – incluindo as onomatopéias. Tradução feita, o texto é enviado para o tradutor-chefe e o gabarito enviado via Sedex de volta para JBC. As onomatopéias devem ser traduzidas ou adaptadas para o português também, claro.

A base que a editora JBC usa para fechar o texto da tradução é sempre a versão japonesa para evitar erros da tradução feita para o inglês (ou qualquer outra língua). Isso significa que a tradução será verificada pelo tradutor-chefe de acordo com o texto original em japonês e poderá ter alterações.

Depois que o texto é colado nas páginas do mangá, ele passa por uma nova leitura que pode ter uma nova adaptação, adequações, mudanças, etc... Quando isso ocorre, principalmente em relação a nomes de personagens, jargões e golpes, os tradutores são informados para o padrão ser seguido. Geralmente esse tipo de mudança é discutido em equipe antes de se bater o martelo e de se tomar a decisão final. Mas há casos que a própria editora japonesa determina nomes de personagens, golpes, lugares, etc.

Creio que muitas pessoas devam questionar a respeito do uso da linguagem informal e de gírias no mangá. Percebi isso através de alguns e-mails de leitores, extremamente preocupados com a “fidelidade absoluta ao texto japonês”. Eu compreendo perfeitamente e com prazer explico a você, que está lendo este texto agora, a minha visão de como isso deve ser tratado em uma tradução/adaptação.

Eu e Fran procuramos utilizar gírias que são utilizadas pelo país inteiro, sempre pensamos nisso, mas é inevitável que apareça alguma que porventura alguém desconheça. Mas isso é bom, pois você acaba no final das contas aprendendo e incorporando à sua realidade, ao seu vocabulário. Eu, por exemplo, adoro conhecer novas gírias do meu país, justamente por ser apaixonado pela nossa nação e sua cultura. O povo brasileiro é muito criativo e essa é, inegavelmente, a maior qualidade que temos. Isso se reflete na arte; seja na música, no cinema, ou na literatura. O povo brasileiro gosta de inventar, de falar diferente, de criar gírias a cada momento, de improvisar. Enquanto você lê esse texto, várias gírias novas estão nascendo e sendo incorporadas aos poucos em nossas vidas. Isso não é maravilhoso? É um processo inevitável, não tem como escaparmos disso; o que eu acho delicioso, quero cada vez conhecer mais dialetos, expressões e gírias desse meu Brasil.

Entenda que a língua de nosso planeta é viva, como já diziam os romanos quando conquistavam novas civilizações, portanto é impossível querer dominá-la, controlá-la, colocar um cabresto na mesma, estabelecer limites ou mesmo padronizar por completo todos os dialetos, expressões, gírias, etc. E os nossos amigos romanos aprenderam isso da forma mais direta e agressiva. Você não pode impor uma língua oficial, um jeito de falar, criar regras fixas. A língua simplesmente vai se moldando, de adaptando e crescendo. Não existe uma total “fidelidade ao original”, existe uma série de aproximações, de adaptações, de versões de uma palavra, de uma gíria, de uma frase, de um conceito, de uma peça de teatro, de um livro, de um poema. Quem pode julgar que tal versão de um livro é a mais fiel ao original? O leitor. Mas os leitores não são clones, cada um tem sua experiência, sua vivência, sua idiossincrasia, portanto, um livro traduzido por A, pode ser extremamente fiel à obra original, mas se não existir uma adaptação, este fica estéril, sem vida, sem significado.

Darei um exemplo simples a você, utilizando uma experiência que eu tive: a dublagem de Friends. Ross Geller, o personagem interpretado por David Schwimmer, tinha um macaquinho de estimação chamado Marcel. Em um dos episódios, Marcel estava no cio e estava, digamos, “perturbando” os personagens, assim como os objetos da casa. Nada escapava de seu furor sexual de primata. Rachel, interpretada por Jenifer Aniston, em uma determinada cena hilariante sai do quarto, desesperada e diz: “My curious George isn´t curious anymore”, pois Marcel, o macaquinho cheio de amor pra dar de Ross, tinha acabado de... bom... copular com um boneco de pelúcia de Rachel (George NÃO aparece na cena, somente é citado). Agora eu lhe proponho um desafio, de traduzir FIELMENTE essa frase. Como ficaria? Bom, você pode seguir o caminho da “fidelidade absoluta” e traduzir assim: “Meu George curioso não é mais curioso”, ou mesmo “Meu George curioso perdeu a curiosidade”. Mas ficou engraçado? Lembre-se que tem a claque, tem risadas ao fundo, Rachel disse algo divertido para o público. Ah sim, não podemos esquecer que nesta época, CURIOUS GEORGE, aquele macaquinho do longa animado para cinema (que por sua vez foi baseado em um clássico da literatura infantil americana) não era conhecido aqui no nosso país. Qual foi a minha solução? Colocar Rachel dizendo: “Minha Barbie não é mais uma donzela”. Mas poderia ser também “Minha Barbie perdeu a virgindade”. Você não achou muito mais divertido? Deixe-me explicar uma coisa então. A adaptação é a espinha dorsal de tudo na tradução. Nós não podemos pura e simplesmente traduzir. Sem adaptação é apenas um deserto de palavras ao sol, sem vida, sem espírito, apenas cascas vazias de conceitos.

Depois de dirigir projetos de dublagem muito legais para a Sony / Colúmbia Pictures como “A Casa Monstro”, Zathura: Uma Aventura Espacial”, “O Bicho Vai Pegar”, fui convidado a trabalhar em uma animação chamada “Tá Dando Onda” (Surf´s Up), não sei se você assistiu. Muito preocupada com a qualidade de suas versões internacionais, a Sony / Colúmbia sempre promove reuniões entre todas as equipes do mundo em Londres, o que eu achei excelente e muito importante para o envolvimento do diretor com o filme. No nosso primeiro dia de trabalho, conheci a sede da Sony Pictures, onde exibiram para várias delegações do mundo inteiro o filme “Ta Dando Onda”. Eu amei, logo de cara, pois os personagens eram muito carismáticos e reais. Após o filme, delegações de diretores de dublagem do Canadá, China, Portugal, França, Espanha, Itália, entre outras, se reuniram em uma grande sala, com uma mesa comprida e começaram a ler todo o script, analisando todos os pontos importantes da adaptação. Um dos supervisores, nosso orientador-chefe, por assim dizer, um senhor muito inteligente e simpático, nos guiava em cada frase, cada expressão, cada linha dita pelos personagens e colocava em debate para o grupo de profissionais. Um dos primeiros problemas que tivemos foi a localidade onde Cadú Maverick mora, conhecida como Shiverpool, que é uma brincadeira com o nome “Liverpool”, acrescido de “shiver”, ou “calafrio”. Tínhamos que encontrar, em todas as línguas, uma solução criativa para esse nome. Foi muito engraçado quando me deu um estalo e levantei a mão, anunciando que era da delegação brasileira e que tinha uma sugestão: “FRIO DE JANEIRO”. Todos caíram na risada imediatamente e vários anotaram o nome e disseram que iriam usar em suas versões. Deu certo por conta da palavra “freeze”, que pode ser lembrada quando se diz FRIO, quase que imediatamente, além de ser o nome de nossa querida cidade brasileira. Seguimos até o início da noite, garimpando, analisando, quando religiosamente na hora marcada, os trabalhos cessaram. Eu confesso que ficaria ali mais um bom tempo, pois foi uma experiência deliciosa e única, poder ver ao vivo, como cada diretor de cada país estava pensando, adaptando o texto, resolvendo os problemas e quebrando a cabeça. Um outro exemplo, foi um esporte que deveria ser criado se utilizando de alguma coisa que envolvesse a idéia de pingüins. Outra idéia que tive foi chamar de FUTSAL, que seria um futebol de SALMÃO. Uma coisa que me marcou, foi quando o supervisor nos disse, ou melhor, IMPLOROU, em suas próprias palavras (arrancando risadas de todos na reunião) para que jamais fizéssemos uma tradução pura e simples e sim uma ADAPTAÇÃO, uma versão única do filme para o nosso país. Fiquei encantado, pois eu penso exatamente como aquele senhor simpático de cabelos prateados: sem adaptação, não existe alma e sem ousadia, não existe mudança. O grande problema é vencer essa inércia mental que muitas vezes temos ao traduzir, que nos mantém presos ao básico, a uma fidelidade aparente, a um medo de criar, de ser diferente. Isso é prejudicial e acaba interferindo na fluência do próprio texto, comprometendo a obra.

Veja o nosso fantástico escritor Guimarães Rosa, que criou palavras, gírias, conceitos próprios e originais, que depois foram sendo assimilados pelos leitores. Veja os nossos poetas, que desconstroem a língua portuguesa e a reinventam criando novas imagens literárias, desafiando e estimulando nossas mentes a pensar. Esse processo é extremamente prazeroso e profundamente humano, pois faz parte de nossa própria evolução como raça humana. Nada fica parado nesse planetinha azul, muito menos nossa forma de comunicação.

Vários filólogos, estudiosos da língua, já comprovaram que a linguagem humana se comporta como um organismo vivo, carregado de símbolos, conceitos e significados, estes, em constante evolução e mutação. Como eu trabalho direto com tradução e adaptação de dublagem em filmes de Hollywood, sei muito bem disso quando tenho que dublar um personagem de desenho animado, por exemplo. Ele se utiliza de várias gírias e expressões diferentes. Caso eu ficasse engessado, fixo em um padrão, preocupado com o entendimento de todos os brasileiros, dos nordestinos, dos cariocas, dos mineiros, dos paulistas, dos gaúchos, só para exemplificar alguns de nossos irmãos, o personagem animado iria ficar sem graça, sem vida e extremamente quadrado, convencional.

Quando você lê por exemplo, uma obra como O Auto da Compadecida, mergulha em um verdadeiro universo de palavras e expressões típicas do nordeste, do âmago do nosso povo. Muita coisa você não sabe, não conhece, e passa a entender no decorrer da obra, causando-lhe um prazer enorme na leitura, pois o cérebro humano gosta (e lhe agradece) de criatividade, ama o inesperado, o diferente.

Temos que tomar extremo cuidado quando acabamos nos fechando em limites, agarrados em padrões, em tábuas de segurança, em nome de um “entendimento universal”. O que delimita isso tudo é sempre o bom senso, a maturidade, a experiência, o feeling que os artistas tem. E nós somos abençoados, pois o povo brasileiro é praticamente composto de artistas, de todas as áreas.

O brasileiro, como eu falei anteriormente, ama a criatividade, e jamais vai se incomodar ou reclamar (do fundo do coração) em aprender uma gíria nova, uma palavra nova, um conceito novo. Nós somos inteligentes, portanto não sofremos com a mudança, nós nos ADAPTAMOS através do aprendizado. Uma coisa que jamais devemos permitir é a cristalização da mente, ela deve estar sempre respirando, aprendendo coisas novas, sendo testada, desafiada e exercitada. Não podemos ficar incomodados com palavras novas, com gírias novas, conceitos novos.Isso me faz lembrar de uma antiga parábola oriental, que terei o maior prazer em compartilhar:

Um mestre e seus dois discípulos observavam uma linda e enorme bandeira adornada, no alto de uma colina. O discípulo mais jovem comenta: “que linda e graciosa bandeira, vejam como ela se move”. O discípulo mais velho retruca: “Não é a bandeira que tremula, é o vento que a faz se mexer”. O mestre então se pronuncia, com um tom paternal carinhoso e terno na voz: “A bandeira não se mexe e tão pouco é movida pelo vento. São suas MENTES QUE SE MOVEM.”

Um abração;

Muito obrigado pelo carinho;

Guilherme Briggs ^__^

20 comentários:

Cap. Crash disse...

"Eu e Fran procuramos utilizar gírias que são utilizadas pelo país inteiro, sempre pensamos nisso, mas é inevitável que apareça alguma que porventura alguém desconheça. Mas isso é bom, pois você acaba no final das contas aprendendo e incorporando à sua realidade, ao seu vocabulário. Eu, por exemplo, adoro conhecer novas gírias do meu país, justamente por ser apaixonado pela nossa nação e sua cultura."

Com todo o respeito vou dizer algumas coisas =)


1ª- Colocando "novas girias do seu pais" voce disvirtua muito a obra.

2º- Acho um pouco de egoismo seu pensar que só pq gosta das girias todos acham muito bom ver elas ali.

3º- Nao querendo ser grosso. mas a ultima coisa que eu quero ao comprar TENJHO TENGE é incorporar um pouco deste vocabulario informal.
Quando a gente lê algo, a gente associa o que o personagem diz a sua personalidade.

Por exemplo se o personagem é todo "Largado" normalmente ele usa de uma certa linguagem e tal...


Então nao é pegar no pé mas só queria dizer isso mesmo...

Alias gosto muito de seu trabalho e lembro-me até de ter ficado bastante empolgado em ouvir o podcast do Jovem Nerd =P

Crash.

Fran Briggs disse...

Tá dito C Crash

Artis disse...

Acho que somente quem já tentou fazer alguma tradução sabe o quão difícil é fazer o trabalho de tradução e adaptação de uma obra para que ao mesmo tempo em que o texto se mantenha o mais fiel possível do material original ele ainda seja de fácil entendimento para pessoas de diferentes níveis de culturais.

Eu gostei do resultado final da tradução/adaptação que encontrei no mangá TenTen porque vocês tiveram o cuidado de mostrar a diferença das falas dos personagens, um diferencial que muitas pessoas 'profissionais' ignoram e que acabam por descaracterizar o personagem do mangá.

O que acabei percebendo nos sites onde estão se comentando sobre a tradução é que muitas vezes a critica não se direciona ao trabalho final que está nas bancas e sim às pessoas envolvidas no processo de tradução - pessoalmente, isso soa mais a dor de cotovelo e falta de profissionalismo de quem acha que o tradutor em questão é o responsável por uma serie de decisões tomadas pela editora (opção da tradução a partir do inglês ou japonês/ escolha do profissional/etc.)

Acho que o que está faltando para a maioria das criticas é bom senso: as criticas tem que ser dirigidas ao texto final (o trabalho entregue) e não à formação / caráter / origem / ou qualquer outra coisa que se envolva a pessoa física em questão.

Se os tradutores que tem anos de estrada não acham isso justo, eles têm todo o direito de expor seu descontentamento, mas que dirijam seus ataques à JBC e não às pessoas que foram contratadas para fazer o trabalho - se fosse com vocês, como vocês lidariam com a chuva de ofensas pessoais?

Pessoalmente, eu não me importo de ler um mangá traduzido do inglês ou do japonês desde que o trabalho seja bem feito e pessoalmente eu tenho visto adaptações nojentas feitas pelos ditos ‘tradutores profissionais’ cuja qualidade de ‘tradução e adaptação’ perde de longe para os fansubbers mais amadores (vide Naruto para quem acha que estou errada).

Para os leitores que nunca se preocuparam em tentar traduzir nada mais que um ‘the book is on the table’, eu gostaria de fazer uma pergunta: vocês já tentaram ler nem que seja um comics da DC ou da Marvel em inglês? Eu leio de fanfictions a Best Sellers em inglês há bastante tempo e posso dizer que tem expressões que não fazem o menor sentido se traduzidas ao pé da letra, e que apesar de não ser fã de gírias, sou obrigada a reconhecer que tem casos que não tem muito por onde fugir para que o texto fique coerente.

Fran e Guilherme, eu não sabia que esse mangá havia sido traduzido por vocês e gostaria de deixar os parabéns pelo trabalho realizado, e que estou ansiosa pelos próximos capítulos.

Bjos

Gushi

Sphynx disse...

Eu também sou a favor de algumas adaptações em tradução. O que eu considero fiel ao original é traduzir literalmente o que dá, e adaptar o que não der. Principalmente no que diz respeito a expressões que só existem em determinada língua, o normal e obviamente recomendável é adaptar. Um exemplo extremo, imagina se traduzissem “bloody hell” como “inferno sangrento” o.o

Fora isso, acho o mais importante é manter o nível de linguagem que o autor usa no original. Fiquei até meio traumatizado de traduções quando li a do Oliver Twist feita pelo Machado de Assis. É um trabalho interessante, como não podia deixar de ser, mas o que o leitor encontra nessa edição é um texto com o estilo do Machado de Assis, e não o do Charles Dickens. Machado usa preciosismos e frases na norma culta onde Dickens usa linguagem comum e personagens falando no coloquial. Perde a realidade, ver bandidos e meninos de rua falando com mesóclise, elimina o contexto, o que é quase pior do que eliminar o corpo do texto, o que está escrito.

Por isso, se um personagem usa gíria, não é nenhum problema que o tradutor use gíria correspondente no seu idioma. Se ele usa neologismo, que o tradutor invente palavra. Melhor do que traduzir só o significado, sem trazer o estilo, acho eu.

E “Frio de Janeiro” foi ótimo, hehe.

RADIOFOBIA disse...

Ao casal Briggs e aos amigos fãs de mangá e anime:

Concordo totalmente com a suas considerações a respeito da necessidade e importância da adaptação na tradução. Há um sem-número (é assim que se escreve na nova ortografia?) de expressões que são simplesmente impossíveis de serem traduzidas literalmente, que não fariam nenhum sentido, uma vez que são inerentes ao idioma, história, hábitos, costumes, piadas, etc, de cada lugar.

Tenho 35 anos, sou tradutor e intérprete de Inglês e Japonês, além de compositor, locutor e radialista aspirante a dublador, e sinto diariamente essa dificuldade, seja na tradução de scripts para dublagem, legendas, versões musicais ou mesmo diálogos corriqueiros de situações cotidianas. Na tradução simultânea, então, nem se fala.

Há 16 anos leio mangás em japonês, devo muito do meu aprendizado à leitura de mangás, e devo dizer que a tarefa de adapta-los para qualquer idioma que seja é por si só uma façanha e um enorme desafio. Tornar compreensível a "ideia" ou "intenção" de determinado diálogo ou situação, para aqueles que não conhecem a língua nativa, é uma verdadeira façanha.

Meus filhos (7 e 3 anos) sempre me pedem para ler alguns mangás que tenho em japonês, sem tradução, e assim eu me exercito fazendo a interpretação simultânea das histórias, lendo em japonês e interpretando em português, com a devida liberdade de adaptação (e modulando as diferentes vozes). Mas mesmo nessa brincadeira, me preocupo em manter a fidelidade do original, já que eles querem entender realmente o que está se passando, para entenderem a continuação da história.

E não pensem que os tradutores americanos fazem melhor, não! Não são poucas as vezes em que estou assistindo a um anime com o áudio em japonês e irritantes legendas em inglês, e me deparo com verdadeiros absurdos, alguns resultado de total falta de conhecimento básico sobre a própria língua japonesa.

Sou amigo da equipe JBC em São Paulo, e posso assegurar que o trabalho que está sendo feito com TENJHO TENGE é da mais alta qualidade e competência, feito com total rigor e critério, visando levar a versão em Português do Brasil para o grande público que, por razões óbvias, não pode ler o original em japonês. Inevitavelmente, Briggs está incorporando um pouco do seu já conhecido estilo nas adaptações, o que também é bom, pois dá ao trabalho característica própria. A formalidade excessiva da tradução considerada "acadêmica" é o que menos se recomendaria para um mangá.

Mas, é claro, esta é apenas a minha opinião...

Abraço!

Anônimo disse...

Francislene, tu é mto feia, baranga, se veste mal pra caralho!!! Tu só pode ter feito macumba pra amarrar o Gui desse jeito, e ainda por cima leva um monte de encosto pra morar com vcs... eu te odeio muito!! O Gui ainda vai te dar um pézão na bunda e te mandar de volta pro buraco de onde vc saiu!!! Te amo Gui!!!!!

Marlene disse...

Anônimo, tu é covarde, invejoso(a), despeitado(a) e fofoqueiro(a), pois fica cuidando da vida de quem não te deu confiança... Volta pro RALO ou pro ESGOTO (mesma coisa, né?) que você saiu e vai perturbar as BARATAS, as LACRAIAS, que são seus semelhantes. O Gui AMA a Fran, do fundo do coração, e isso não vai mudar, então se RASGA TODA, escrotinha.

Anônimo disse...

Otakus, otakus... eternamente frustrados por não morarem no Japão. São colonizados culturalmente, emocionalmente e socialmente pelos mangás e animes e acabam se achando verdadeiros japoneses, num sonho de adolescente. Tudo estaria bem se fossem adolescentes e pronto, pois esse tipo de comportamento é típico das mentes púberes, imaturas e sem experiência de vida. Mas quando vemos marmanjos de vinte e tantos, trinta anos, escrevendo difícil, falando como verdadeiros doutores do NADA, que fazem cursinho de japonês em SP e se acham os foderosos, os mestres (ou seriam, os senseis) aí a mediocridade é plena. Tenho pena (e raiva) de gente assim desse naipe, pois são adolescentes eternamente e ficam perturbando quem é adulto e quer trabalhar. Tô imaginando esse povo, com seus cinquenta anos em eventos, pagando pau pra dubladores de Cavaleiros do Zodiaco, xingando quem coloca gíria em anime e em mangá, tocando punhetinha com seus pauzinhos pelas menininhas de 14 anos mostrando os peitinhos e as bundinhas... e vão ficar nessa até cansar... a GENTE, claro. Otakus!! GET A LIFE!!!!!!!!!!!!!

Agronopolos disse...

Posso pedir um favor?
SE o AUTOR COLOCAR uma Giria, vcs podem colocar giria
Se o AUTOR não COLOCAR uma Giria, só faça ter sentido

Fran Briggs disse...

Anotado, Agronopolos.

Próximo!

Adriano disse...

Antes de tudo queria deixar claro que sou fan incondicional do trabalho do Briggs como dublador, e que o acho sem dúvida, o melhor atualmente em profissão.
Vale também mencionar que ainda não vi o trabalho q vcs estão fazendo com o mangá, mas isso não faz tanta diferença já q as considerações q farei serão baseadas principalmente nesse texto aqui publicado.
Entendo perfeitamente esse amor q vcs têm pela cultura, gírias e dialetos do Brasil, mas como fan de mangás posso dizer sem medo de errar q eu, assim como 90% de quem está lendo, não quer ver gírias tipicamente brasileiras, e regionais em uma obra japonesa. Entendo q muitas gírias estão tão bem difundidas na nossa cultura a tantas décadas, q podem ser facilmente usadas para adaptar o texto sem disvirtuar a obra. Mas poxa "Vou passar cerol na pipa" acho q não dá pra engolir.
Também concordo com oq foi dito sobre adaptação. A sacada do Frio de Janeiro foi genial, assim como a da Barbie, mas tem q haver um cuidado especial para não haver exageros. Veja o exemplo da Lia Wyler q traduziu todos os livros do Harry Potter e resolveu adaptar para o portugues o nome das 4 casas da escola de magia. Ela mesma assumiu depois q isso foi erro, q ela fez isso pq achava q aqueles nomes não seriam de muita importância na história. E depois vimos q no último livro um dos grandes segredos da história, ao ser revelado, tinha conexão direta com esses nomes, e a grande sacada dessa história foi perdida na versão brasileira por causa dessa adaptação q ela tinha feito 6 livros atrás.
Outra coisa importante q gostaria de mencionar é em relação as críticas de outros profissionais quanto ao Guilherme fazendo tradução de mangá. Eu sei que o Guilherme é muito inteligente, por isso tenho certeza q ele sabe muito bem que muitos Dubladores (leia-se tambem Marcelo Campos e Família Baroli)costumam ter um acesso de raiva quando um cantor ou um ator q nunca havia dublado antes resolve fazer um trabalho na dublagem e q geralmente acabam ganhando mais por esse trabalho doq os profissionais q ja estão nessa área ha anos.
E q por isso acho q ja era de se esperar q reações parecidas vão acontecer qdo acontecer o contrario (nesse caso, um dublador traduzindo um mangá).
Não sou um idiota descerebrado q quer apenas criticar, muito pelo contrario, como disse antes, sou fan do Guilherme e desejo tudo d bom pra ele.

Amauri Junior disse...

Incrível, não sabia que vocês quem traduziam o Tenjho Tenge para a JBC (apesar de não gostar muito do título mas tudo bem) muito interessante e parabéns pelo trabalho de vcs ^^

Anônimo disse...

Por mim pode por a giria que quiser, não compro mangá da JBC mesmo huahuahuaahuauhahua. Espero que continuam nesse editora eternamente. Sucesso.

Cristiana Sbardella (ou Gata Flecha!) disse...

Parabéns aos dois =)

Eu admiro muito um trabalho de adaptação bem feito. Claro que algumas vezes vai ter pessoas que não vão gostar de uma ou outra adaptação (num dá pra agradar a todos)

O que acho válido é q as pessoas façam sugestões e observações. Sugestão sempre é bem vinda. Mas não dá pra querer podar tudo, se não a gente acaba abrindo mão de muita coisa legal q poderia surgir nas adaptações.

Raquel disse...

Caro Guilherme,
nunca li um mangá e não faço idéia das dificuldades de um texto desses, que devem ser inúmeras. Mas adorei o seu "Frio de Janeiro". Inspirado!

tuts disse...

Eu só acho que é impossivél agradar a todos, e pelo trabalho que eu li TT está muito bom, eu sempre li em inglês e em português ficou mais divertido os personagens e acho que até mesmos suas personalidades tenham sido exploradas melhor com a tradução em português.

Soto disse...

Tudo bem que você ache legal as gírias, eu acho ALGUMAS (poucas) muito boas, e tudo mais.

Mas pô, os leitores do mangá, boa parte não curte, e quer algo fiel ao japonês, fora que, muita das vezes isso descaracteriza o personagem, como por exemplo, a ausência de "Aye" no personagem de Fairy Tail (eu nem leio, mas já falaram) e também algumas coisas como o programa "Pânico na TV" lol, muita gente vê, mas também muita gente não vê, e boa parte das pessoas que curtem mangá não vê, não que seja uma lei absoluta, mas sei lá, mesmo que todo mundo visse é nada a ver.

A mesma coisa é um programa japonês ser traduzido pra Domingão do Faustão, Globo Rural, O melhor do Brasil, etc.. Não tem nada a ver com o ambiente, com a estória... Isso sim é vazio, sem noção.

Então Briggs, se vc le as opiniões dos fãs, acho legal começar a traduzir o mais fiel possível, claro, adaptações existem, mas e diversos tradutores que não usam essas gírias e fazem uma boa tradução? Nos 3 primeiros volumes de FMA, eu vi gírias, todas compreensíveis e boas, não vi reclamações quanto a isso. Já nos outros volumes, mudou alguma coisa (pq trocou de tradutor) e continou bom.

Então é isso, quanto mais puder evitar, melhor. É com isso que os fãs vão parar de ficar reclamando.

Fran Briggs disse...

Soto, o 'Aye' que todo mundo está reclamando, não passa de um 'SIM' que oficiais da Marinha (se não me engano, é a Marinha) AMERICANOS USAM.

Em Star Trek o Worf muitas vezes respondia ao capitão com um 'Aye' usando essa expressão TIPICAMENTE AMERICANA: Que quer dizer SIM.

Como pessoas no Brasil não tem a menor idéia disso, a opção foi adaptar pra É, o que é bem melhor que um SIM.

E o editor chefe achou melhor que ficasse assim, já que ninguém é obrigada a ler uma HQ traduzida no Brasil como se tivesse lendo algo sobre cultura das forças armadas americana, né?

A maioria das reclamações, como coisa do Pânico na TV, as quais vcs se referem, não são de nossa autoria.

Há uma revisão final, embora seja essa uma última vez que falo isso, já que vocês, fãs, parecem não querer entender toda vez que explicamos esse detalhe.

Não vou continuar desperdiçando latim pra fazer com que os fãs entendam que o trabalho FINAL passa pela mão de VÁRIAS pessoas.

Aliás, eu não assisto o Pânico. Acho de gosto duvidoso.

Só respondi porque queria deixar claro a parte do 'Aye'.

Se mesmo assim continua não gostando da adaptação, continue fazendo que está fazendo, não leia.

Procure um fansubber, versão americana ou japonesa e assim todas as partes ficam satisfeitas.

Só uma coisa, aqui quem responde é a Fran Briggs.

Abraços e obrigada pelo comentário.

^^/

Vinicius Machado disse...

Eu concordo que tem que ser colocado gírias em traduções, respeitando a época e personalidade do personagem, claro.

E outra,como o Briggs citou na adaptação de Friends, tem a frase do filme Scott Pilgrim vs the world que seria impossível traduzir sem adaptação, que é a seguinte:
Knives pergunta para o Young Neil depois de conhecer a banda do Scott:
"What are you play?"
Se referindo a banda. Ele diz:
WOW, Tetris.

Como que iriam traduzir isso ao pé da letra?

Pietro Berbert disse...

Aprecio o trabalho que vocês fazem e em especial o do Guilherme que acompanho há muito tempo... No que diz respeito a adaptação, apenas cito como exemplo o famoso caso do YuYu Hakusho, que sua dublagem utilizando gírias da época foram um enorme sucesso, o problema é que esses "otakus" de hoje são tão radicais que não aceitam a adaptação de qualquer obra, no entanto, o humor, as expressões e até o modo de falar japonês são muito diferentes do nosso e nem sempre uma tradução literal será de fato tão interessante quanto a sua adaptação em língua pátria.
Desejo sucesso deixar um recado: A melhor dupla de todos os tempos definitivamente é Superman e Guilherme Briggs...
Um forte abraço